25 julho 2017

Sobre ser e parecer

Há alguns anos uma pessoa pegou meu diário e riu as coisas que estavam escritas, ter alguém rindo e zombando dos seus sentimentos não é algo que desejo para ninguém, sempre que pegava uma caneta era para escrever o que não tinha coragem de dizer, e depois disso fiquei sem coragem de escrever também. Mas escrever sempre foi algo que amei fazer, acho que está no sangue, esse sempre foi o tipo de arte favorita da minha mãe, e mesmo sem coragem eu ainda queria, na verdade precisava escrever, nessa época também eu estava começando a conhecer a internet e pensei que tinha que ter alguma coisa nessa imensidão que pudesse me ajudar.

Há uns dez anos se você digitasse “diário virtual” no google você caia no mundo dos blogs, que nada mais eram que diários, onde as pessoas compartilham de suas vidas e sentimentos, foi assim que nasceu meu primeiro blog, que era privado, só eu podia ler, e com ele o medo foi passando, naquele tempo blog não dava dinheiro, não era profissão, era só sobre escrever, expressar. Conheci alguns blogs que hoje muito provavelmente não existem mais, e outros que hoje são gigantes e muito famosos, e esses blogs me ensinaram que no final das contas não estamos tão sozinhos nos nossos gostos e sentimentos quanto pensávamos. Com o tempo fui perdendo a vergonha e o medo e comecei até realmente publicar algumas das coisas que eu escrevia, um texto, uma opinião sobre um livro ou filme que tinha assistido recentemente, mas era só um passatempo que eu fazia quando sentia vontade sem nenhum compromisso ou pretensão.

Fiquei alguns anos sem blogar e também sem consumir blogs e quando dei por mim, isso tinha tomado proporções que eu nunca imaginei quando parei de “brincar” com eles, agora era tudo sobre ganhar, vender, apesar de ainda ter aqueles que os usavam para compartilhar e expressar, eram infelizmente a minoria, confesso que senti saudade de ter um blog, mas eu ainda queria as mesmas coisas que a menina de oito anos, queria só escrever, dar minha opinião sobre o mundo, e assim nasceu esse cantinho, que bem no comecinho há quase cinco anos eu não contava para ninguém que existia.

Mas em algum lugar no decorrer dos anos confesso que me perdi, o blog que para mim sempre foi algo visceral, onde eu colocava minha alma, minha vida, virou apenas números e visualizações, invés de escrever sobre coisas que eu realmente queria, do jeito que eu queria, comecei a escrever coisas que eu achava que as pessoas queriam ler. Fotos, que para mim, sempre foi sobre registrar momentos, sobre se divertir e eternizar, virou puramente sobre mostrar, parecer, aparecer nas redes socias, quando percebi isso vi que eu tinha que parar para repensar e organizar, para voltar a ser quem eu realmente sou, e não quem a mídia, as redes socias, queriam que eu fosse, eu descobri na internet um lugar onde eu podia ser eu mesma sem medo, mas isso tinha se perdido e essa mesma internet que me libertou tantos anos atrás estava me transformando em alguém preso, alguém que eu não queria ser. Uma pessoa que passava horas em busca da foto perfeita, para parecer ter uma vida perfeita, para mostrar as coisas que eu tinha, os lugares que eu ia só para que as pessoas soubesse que eu estive lá.

Cansada de parece, resolvi voltar a ser. Ser eu mesma, sincera, descobrir lados meus que eu não conhecia, redescobrir lados esquecidos, para ser mais leve. Descobri que viver fingindo é muito difícil, muito pesado, prefiro a loucura da sinceridade. 

Um comentário:

  1. Cara, eu amei esse seu texto. De verdade, me identifiquei muito com o que você escreveu. Uma pena mesmo que hoje em dia a maioria dos blogs seja por interesse em ser visto... Mas eu continuo aqui, acredito que consegui manter minha essência, o fato é que nunca será como antes pq a gente cresce e amadurece... Mudamos nossos objetivos

    Beijos da Carol do blogPink is not Rose 🖤

    ResponderExcluir

Desenvolvimento por: Mariely Abreu | Todos os direitos reservados ©. voltar ao topo